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Friday, June 22, 2018

Governo vai investir mais de R$ 2 bilhões em logística de transporte no Pará

O Governo do Pará vai investir mais de dois bilhões de reais em logística de transporte em todo o Pará, dos quais mais de um bilhão se destinam a projetos de mobilidade urbana na Região Metropolitana de Belém (RMB).
Durante o VII Congresso & Feira Internacional de Transporte e Logística Sustentável da Amazônia, o secretário de Transportes, Kleber Menezes, coordenou as apresentações das ações do governo paraense no setor.
A Companhia de Hidrovias do Pará tem obras envolvendo quatro subregiões, Belém, Marabá, Santarém e Xingu, com a construção de portos, terminais hidroviários e estradas.
O governo também lançou o aplicativo Caminhos do Pará, que vai monitorar estradas, engarrafamentos, pavimentações, permitindo aos usuários se programarem em relação a horários, distâncias, contratempos, facilitando a circulação de pessoas e cargas.
O governo paraense detalhou, ainda, os projetos para garantir mobilidade urbana na Região Metropolitana de Belém, num investimento total de 1,1 bilhão de reais.
Eis as principais obras, a maioria em fase e conclusão: prolongamento da Avenida Independência; duplicação da Avenida Perimetral; duplicação da Yamada/Tapanã (em andamento, conclusão em dezembro de 2019); BRT Metropolitano, trecho até a Alça Viária, Marituba (as propostas estão em análise de preços; após a esco:);lha, as obras iniciam de imediato) prolongamento da João Paulo II (obras em fase de conclusão).
PEDRAL
A hidrovia Araguaia-Tocantins ligará a Vila de Conde os Estados do Mato Grosso, Goiás e Tocantins, num modal de transporte quase duzentas vezes mais barato que o rodoviário. Acontece que, para tornar o Tocantins navegável o ano inteiro, é preciso pulverizar o Pedral do Lourenço, obra de 400 milhões de reais (o outro impedimento, as eclusas de Tucuruí, foram inauguradas em 2010, investimento de 1,6 bilhão de reais).
Sem o derrocamento do Pedral, as eclusas se tornaram uma espécie de elefante branco, sem maiores eficiências. Estava tudo preparado para licitar neste primeiro semestre, mas o Ibama decidiu rever a licença ambiental, abrangendo não só o Pedral, mas outros possíveis impactos ambientais ao longo de todo o trajeto. Por causa disso, estima-se um atraso de até dois anos no início das obras.
BELEZAS
No mesmo evento, Joy Colares, da Secretaria de Estado de Turismo, detalhou as "belezas do Pará" e as ações do governo do Estado para potencializá-las.
"Nosso turismo ainda é, basicamente, de negócios e eventos. Daí a construção do Centro de Convenções Carajás, já inaugurado, e o centro de Santarém, em fase de licitação", informou Colares.
Ele disse também que a Ilha do Marajó é o principal destino turístico do Pará, com rotas regulares para Salvaterra e Soure, e anunciou uma nova rota: para Ponta de Pedras, por "lancha rápida".
"Cinquenta e nove por cento dos destinos turísticos dólares Amazônia ficam no Pará, daí o nosso investimento em logística, hotelaria, gastronomia e outros, que já se refletem no rota de queijo do Marajó e também da antiga estrada de ferro de Bragança".
O Pará tem tudo para se tornar o principal Estado brasileiro em logística de transporte, mas para isto o governo federal precisa interromper quatro décadas de omissão e agir, de forma direta, para desenvolver o estratégico potencial local no setor. Esta é a opinião de alguns especialistas reunidos no VII Congresso & Feira Internacional de Transporte e Logística Sustentável da Amazônia, que começou ontem, 20, e segue até esta quinta-feira, 21, no Hangar Centro de Convenções, em Belém.
Quatro décadas atrás, o governo federal em vez de investir na dragagem do canal de acesso ao Porto de Barcarena para exportar por Barcarena o minério extraído pela Vale no Pará, optou-se pelo porto de Itaqui, no Maranhão.
Hoje, novamente, o governo federal terá que tomar uma decisão que poderá prejudicar o Pará. O governo federal vai decidir onde aplicar os bilhões que a Vale vai pagar com a renovação antecipada da concessão da ferrovia de Carajás.
De acordo com Adnan Demachki, a lei prevê que esses recursos sejam aplicados em investimentos em infraestrutura. No caso dos recursos que a Vale vai pagar pela renovação da estrada de ferro Vitória Minas, o Governo Federal já anunciou que os recursos ficarão naquela região mesmo, ou seja, serão aplicados na construção de uma ferrovia ligando o Porto de Tubarão até Presidente Keneddy no Espírito Santo.
''Pois bem, seria mais do que justo e sensato que os recursos da renovação da ferrovia de Carajás também ficassem na região, já que os impactos que os seis projetos da Vale causam é no Pará. Esses recursos poderiam ser aplicados na construção do primeiro trecho da Ferrovia Paraense, ou na dragagem do canal do Quiriri no Porto de Barcarena. Mas infelizmente o que já se anuncia é que os recursos irão para o Nordeste brasileiro para concluir a ferrovia transnordestina'', finaliza Adnan, que correu todos os gabinetes de Brasília sustentando essa proposta.
Ele, inclusive, solicitou apoio de todos os parlamentares do Pará e em razão disso o deputado Joaquim Passarinho convocou uma sessão especial na Câmara Federal, em Brasília, e o senador Flexa Ribeiro outra no Senado para discutir com os membros do Governo Federal a destinação desses bilhões. Adnan comentou ainda que somente estavam presentes nas audiências os dois parlamentares paraenses citados. "Demandas estruturantes para o Estado devem ser abraçadas por todos'', ponderou o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Pará.
Édson Coelho, da Comunicação/Sedeme.


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